♥ O pedido... ♥



Ed.Visual do Bloinquês:

Márcio,  era pai/mãe de Júlia, desde que sua esposa havia morrido em acidente.

Ele estudara, fizera cursos especializados e se preparara muito para sua carreira e aquele dia seria importantíssimo para ele. A  emoção tomava conta de seu coração já há alguns dias.

Levantou cedo, colocou a farda, quando foi até a filha para despedida, deixando-a com a avó.

Julinha, de apenas quatro anos, não entendia quando o pai lhe dizia que iria saltar de um avião, embora ele lhe tivesse explicado tudo.

Ela era muito pequena e não compreendia como alguém podia saltar e não morrer ou se quebrar todo. Sempre lhe haviam ensinado a não chegar perto das janelas de seu apartamento. E ela não queria perder o pai!

Márcio era quase um paraquedista .

Faltavam-lhe apenas mais alguns saltos para completar as horas necessárias à graduação.

Naquele dia, após beijar a filha, saiu. Fez o salto naquele e nos demais dias...

Mas sempre que saia de casa, via a tristeza nos olhinhos da pequena.  Aquilo lhe castigava o coração!

No dia em que completou o último salto, ao chegar em casa, foi recebido com beijos, abraços e muitas, muitas lágrimas da pequena Júlia, que agarrada ao seu pescoço, soluçava e pedia:

_Papai, não pula mais lá do céu!
Eu  quero ter um pai para sempre! Eu preciso de ti, papai!

Márcio a consolou mais uma vez e  a levou à sua caminha , contou histórias até que ela adormeceu!

Enquanto ela dormia, ele a olhava. Olhava e cada vez mais a admirava.

_Que bela pequena ganhei dos céus!

Ao pensar assim, de repente, lhe vem à mente:

_ Dos céus?
Se foi dos céus que ganhei esse presente lindo, como posso arriscar a perder de com ela bem conviver, justamente por eu me jogar lá de cima dos céus?

Naquela hora tomou uma decisão  que mudaria sua vida.

Colocou o uniforme  apenas mais uma vez: na hora de sua formatura!

Voltou de lá e já sabia que nunca mais pularia e que não  seria paraquedista.

Ao voltar, chama a filha e a avó da menina e comunica sua decisão.

Arranjaria um emprego normal, aliás já recusara tantos convites, mas agora aceitaria.  Teria uma vida no chão, rolando com a filha, brincando, aproveitando cada momento livre.

Nessa hora, Julinha chorou muito novamente ...

Apesar da pouca idade, tinha amadurecimento e a emoção aflorada.

Sabia que nunca mais precisaria ter medo de perder seu papai...

E mais uma vez, chorou abraçada ao papai.

Mas, dessa vez, de alegria!