* Um reencontro e a mudança...


Essa é minha participação na  14ª  edição do Projeto IN VERBIS

Tarefa:Continue a história, conto, poema, etc a partir da frase "Já era noite quando saí de casa e decidi ir..."
Regras: O texto deve começar com essa frase, ela não pode ser colocada no meio nem no final.
A frase não pode ser alterada.

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Um reencontro e a mudança...
Já era noite quando saí de casa e decidi ir ao encontro de gente.Precisava  ver movimento e vida ao meu redor, me conta Melissa, uma grande amiga, com um brilho estranho no olhar.E continua:


-Sentia-me só, marido viajando, amigas cada uma com sua família...


Chamo um táxi e quando ele pergunta para onde vamos, caio em mim...Nem ao menos sabia bem onde queria chegar...Engasgada,digo:


- Vamos ao shoping Iguatemi.


Lá, passeei, olhei vitrines e fiz compras, muitas compras. Com sacolas cheias,tendo deixado uma quantia bem grande em cada uma delas, lembrei-se que ainda não jantara.


Sento-se à mesa  num café, peço o cardápio, faço o pedido e, me sinto observada...Olhei bem para o garçon e nos reconhecemos.


Era Augusto, meu primeiro namoradinho do tempo de escola.

_Puxa, que coincidência! Me conta mais,peço à ela.

Ela prossegue então:
- Nos reconhecemos e nos abraçamos e  fiz o pedido  do lanche.Enquanto comia, relembrava  aqueles lindos tempos e pensava no quanto a vida é estranha...Quantas situações ela nos permite viver...


Ele discretamente se aproxima de minha mesa e ao perguntar se estava bem servida,pergunta  se posso esperá-lo pois faltava apenas meia hora para o shoping  fechar e então poderiam conversar.


Aceitei...Augusto fez questão de me levar para sua casa e lá chegando me apresentou à sua mulher.
Ao vê-la digo:

-Mas é a Clarinha! Que bom te ver!!!


-Eu sabia que irias gostar de ver tua melhor amiga da nossa turma, responde ele.


Tudo era tremendamente simples naquela casa.

Fomos os três até o quarto das crianças e os pais mostraram  em silêncio, mas orgulhosamente os cinco filhinhos que dormiam em beliches bambas e colchões no chão...


Que cena linda aquela! Em meio à simplicidade, via-se ali o amor em todas as peças da casa!


Voltamos à sala,conversamos sobre os rumos de nossas vidas ... Eles contaram das dificuldades que passavam, da perda de emprego e da dificuldade de encontrar outro à altura das despesas e que Augusto trabalhava de dia, como ascensorista e à noite naquele  bar.

-Bah, como passou o tempo, preciso voltar, digo a eles.


Nos despedimos e eu ao entrar em minha casa, vazia e fria, mas cheia de sacolas nas minhas mãos, me senti envergonhada... Senti o quanto minha vida era apenas baseada em futilidades, exageros de gastos , feitos na certa,para suprir o que faltava...

Percebi que tinhamos tudo o que aparentemente podia significar alguma coisa,porém, não havia o principal.


No dia seguinte, fui à casa de Clarinha e Augusto,soube dos gastos para educação e saúde daquelas cinco crianças e assumi  a partir daquele dia todas essas despesas.

_ Puxa, que sorte que eles tiveram em te encontrar, respondi, atenta a tudo que  Melissa me contava.

Devo te dizer que a sorte foi minha, me fala  Melissa. Eles não sabiam o que fazer de tanta alegria e eu respondi que eu tinha muito a agradecer...


Um simples encontro com o passado,me fez acordar para o verdadeiro sentido da vida... Agora sentia que podia fazer alguém feliz e passei a ser outra pessoa, termina ela.

Nos despedimos e quando Melissa saiu  daqui de casa, fiquei pensando naquilo tudo que ouvira e falei para mim mesma:
_ Que bom que ela acordou para a vida! Agora sim poderá, finalmente ser feliz!