♥Enganos, terrenos e olhinhos que sabem ver... ♥

imagem daqui

A primavera acabara de chegar  e as flores já mostravam suas cores, lindas, esbanjando beleza e perfume.

Mais uma estação nas vidas de Laércio e Hortência...

Podiam agora andar mais pelas rua, ir ao encontro com a natureza... Estavam felizes por isso...

Janete,sua neta, assim que a primavera se fosse, daria um passo muito importante em sua vida. Passaria a ser a esposa de Gilmar, um dos mais ricos da cidade. Ela estava feliz por esse passo e ,para ela, uma conquista.

Para seus pais, organizar uma festa enorme, convidados de montão, era motivo de poder  ostentar. Até esqueciam as coisas básicas, pensavam grande, muito grande. Esse casamento seria de arrasar e daria o que falar na cidade.E era isso que os contentava, esperavam ver a filha com um "bom partido",quem sabe, a vida "arrumada"...

Assim, cada um ao seu modo, estava feliz...

Os avós, já mais experientes, apenas ficavam de expectadores e algo não lhes agradava naquela união que estava por acontecer.
Tentaram falar mas não foram ouvidos.Retiraram-se ao silêncio, não tocaram mais no assunto, apenas rezavam juntos para que estivessem enganados.

A vida seguia, a data se aproximava. Gastos, gastos  e mais gastos com preparativos.

Janete pensava que ao casar, teria vida de rainha, seria mulher de sociedade, frequentaria todos os ambientes ,tantas vezes negados antes.Por isso, preferia não dar atenção às palavras dos avós. Casaria, seria feliz e pronto! Eles haveriam de ver!

Mas mal sabia em que lugares colocaria seus pés, em qual terreno estava pisando...

Chega o dia, a festa, a cerimônia tudo lindo..
Os noivos seguem em viagem de lua de mel.

Ao retornarem, encontram os avós doentes num hospital, na cidade vizinha. Haviam pego uma infecção muito forte e ambos sentiam que não estavam bem, mais ainda, por dentro.Sentiam uma inexplicável angústia, uma espécie de premonição.

 Avisados, foram ao hospital vê-los e nessa hora, chega a enfermeira chefe que ao ver Gilmar, não esconde a sua raiva:

_ Quem é essa aí? Onde andaste metido, Julião?

 Há meses que ando à tua procura e agora, aqui nesse lugar onde nunca imaginei, apareces!  A vida dá voltas mesmo!  
Esqueceste do teu filho? És mesmo um cafajeste!!! Terás teu troco,Julião, sem dúvida!

_ Julião? Pergunta Janete.

Naquela hora os pobres avós olham para Janete e percebem que ela foi enganada!

A chamam para junto do leito e a abraçam, consolando-a.

Ao final., Julião foge, deixa as duas por lá e após várias conversas ficam sabendo de tudo.  Ele usara identidade falsa, aliás, tinha várias ... Uma para cada tipo de sua personalidade doentia.

Assim, várias mulheres, vários filhos, todos abandonados...Era um perfeito marginal.

Após um tempo, desfeita a "união" e todos os trâmites legais, agora, Janete retorna à casa dos avós...

Seus pais, desde aquela época mudaram de cidade. Não suportaram ser falados daquele modo.Não era isso o que esperavam!!!
Era, aliás fama  boa o que queriam!

Ao entrar pelo portão, não pode deixar de pensar nas expectativas que tivera na entrada da primavera passada...

 Agora, as flores já haviam murchado, tudo estava mais triste também por lá naquele caminho.

Porém, assim que a porta da casa se abriu, percebeu nos olhos daqueles velhinhos, a maior e mais bonita flor.  Eles pareciam sorrir, bastava olhar.  E neles, lá no fundo, até uma flor nascendo pode ver...Era a esperança e confiança que eles lhe transmitiam.

 E aquele era o terreno que gostaria de pisar para sempre, o da certeza do amor e do abraço amigo, o do poder contar...

Isso lhe fazia bem...

Agora, trabalharia, levaria vida normal, mas sabia que à tardinha, teria um lugar caloroso para voltar e quem sabe um dia, outro amor  bateria à sua porta...

Esperava dessa vez, que os olhinhos sábios aprovassem...