♥ Uma simples tela e... ♥


imagem daqui


Berto era uma rapaz complicado.

Por onde quer que passasse, parecia que , mesmo que tudo andasse bem, de repente, um muro lhe aparecia pela frente.

Complicava a vida dele e dos seus ,que sofriam a cada novo golpe que a vida lhe apresentava.


Casara, separara, tinha duas filhas a quem via  frequentemente, porém pouco tempo tinha para lhes dedicar.

Carros sonhados, comprados, não funcionavam com ele como deveriam. Batidas, coisas que estragavam, sem o menor motivo.Ora trabalho ,ora desemprego...

Assim levava a vida e entre trancos e solavancos  já se aproximava dos cinquenta anos...

Certo dia, sua mãe, já bem velhinha, o chama:
Ele vai até a casa dos pais e ao vê-la deitada, parecendo doente, fica mal.

Ele não suportava ver dor alheia, era fraco para isso.

Mas a mãe, tirou forças  e lhe pediu para que a ouvisse om atenção.

_ Vai ali na terceira gaveta de nossa velha cômoda.

Berto para lá se dirige.
_Agora, dentro de uma caixinha verde, tem uma  tela pequena, mas que muito vai te dizer.

Berto a encontra, olha, olha e pergunta:

_Ô mãe, o que tem nessa tela? Não vejo nada, não me fala nada isso, além de uma tela velha.

_ Olha bem,Berto!
Imagina aquele balão como  teu pai, que até hoje sempre, transformou momentos mais duros, como aquele muro que nela vês, em alavanca e consegue te fazer transpor os muros, as dificuldades...

-Bah, mãe! Estás pirando ,acho!  Como podes ver tanta coisa numa porcaria dessas?

_Olha bem! Leva a tela contigo!  Quando estiveres sozinho, olha novamente e pensa no que te falei...

Agora vai, filho, preciso descansar!

 Berto sai, segue seus dias... A tela estava largada sobre uma mesa, em meio aos jornais velhos, cigarros e papeladas várias...

Um dia, porém, numa passadinha rápida na casa dos pais, a mãe pergunta sobre a tela e seu olhar sobre ela. Nada mudou?

Quero que consigas tu mesmo ,ser como aquele balão! Que compreendas isso, que te conscientize dessa verdade!  Só tu serás capaz de levantar os muros que criaste.

_Reparaste naquele banco?

Eles estão lá à espera de teu pai e eu e quando esse dia acontecer, estaremos sentados ali, finalmente tranquilos e poderemos realmente descansar!

Berto ao chegar em casa naquele dia, olhou, olhou novamente e seus olhos ficaram cheios de lágrimas.

As lágimas desceram, rolaram e parece, algo dento dele se abriu.  Mesmo tarde, percebeu o valor daquele balão em sua vida, em como aquela bola de borracha era forte, mas ao mesmo tempo, não perdia a leveza...

Mas, ao olhar para o banco, sente um calafrio...
Uma sensação de não ter mais tempo!

Volta na manhã seguinte , bem cedinho, à casa dos pais e quer aproveitar os dois  felizes...Quer lhe dar alegria antes que eles sentem naquele banco pra lhe ver do outro lado!

Chega lá, abraça os dois e os  beija muito, muito!

Sua ficha caíra naquele momento!
Sabia que tinha pedido muito tempo em sua vida toda.havia valorizado e priorizado o que na verdade não lhe acrescentara nada, mas sabia que tudo aquilo tinha que ter acontecido para  crescer.  E só agora, parecia m,de um momento ao outro, ter acontecido...

Os pais, ficaram por mais  um  aninho convivendo e vendo a tão almejada mudança no filho que agora encarava com seriedade o emprego, valorizava as filhas, até a ex-mulher e se sentia preparado...

Quando em poucos meses de diferença os pais se foram, ele podia visualizá-las sentados naquele banco, daquela tela que agora, havia mandado ampliar e figurava como um grande quadro na parede de seu quarto.

Por vezes, parecia até lhes ver sorrir...

Seria imaginação?

Berto nem se preocupava em saber.

Apenas sentia o poder que ali existia, um vínculo de muito amor e que embora tarde, aprendera a dar valor!