♥ As flores , os chuchus e o perdão... ♥


Eva adorava mexer e trabalhar na terra. Virava e revirava seus vasos, sempre afofando a terra, plantando, fazendo transplantes de mudas. Passava horas nessa atividade.

Naquele dia, lá de dentro  da casa, podia ser sentido o perfume maravilhoso de uma carne assada na panela, que cozinhava sozinha ,enquanto o pão ao forno terminava de assar.

Nessa hora, ouve ao longe, do portão, Sr.Evian, o velho carteiro  lhe chamando:

_  Encomenda para Sra.Eva!

 Naquela hora, parece reviver um momento passado anos atrás, quando o mesmo chamado escutara, também do Sr.Evian. E ela encontrava-se igualmente, plantando, cuidando dos canteiros...

Por instantes revê a cena em sua recordação...

_ Ela  retira as luvas e vai até lá. O  saúda, recebe o pacote. Corre para  cozinha. Procura a tesoura na gaveta e enfim abre.

Logo que o faz, um envelope aparece, com uma letra que lhe faz tremer...

O abre curiosa e ali vê uma carta de um ex noivo seu, onde reclamava que ela nunca lhe respondera às suas cartas , fato que o deixava muito triste.  Ela leu aquilo, foi  mexendo na caixa e encontrando mais e mais cartas suas. E mais e mais dele!

Sentia algo estranho dentro dela até que por fim, num envelope maior, preto, encontra  uma carta de sua ex-quase sogra,  que falava que agora, após a morte de seu filho ,  poderia confessar que sempre ficara encarregada de colocar no correio as cartas  que ele mandava e ela não o fazia, bem como não entregava as que lá , para ele chegavam.

 Por fim, um pedido de desculpas  e um sutil arrependimento, já que percebera que estragara a felicidade do seu filho que, a amando e se julgando esquecido e abandonado, nunca fora feliz com mais ninguém.

Eva atônita com tanta maldade junta em uma só pessoa, vai até um canteiro,  pega a pá, a mesma com a qual revirava a terra dos vasos... 

Finca com raiva na terra, cava um buraco como se estivesse cravando aquilo na sogra e, de repente, pega todas as cartas , dá um beijo naquelas do ex e as enterra num canteiro, numa cova bem funda.  Numa outra ponta, num canteiro bem distante,  coloca aquela da  megera,que teria sido sua sogra.

Nisso, é acordada da sua viagem no mundo das lembranças pelo novo chamado:

_  Encomenda para Sra.Eva!

Vai até lá, recebe o pacote e agradece...Eram os brinquedos para o Natal que sua sogra, boa e dedicada, mandava aos netos, já que moravam longe.
Ela os deixaria guardados até a noite de Natal chegar.Seria uma bela surpresa!

Volta para a cozinha,  retira o pão do forno.  O perfume agora convidava à uma boa refeição.

Chama as crianças, o marido, sentam juntos à mesa e falam, riem enquanto saboreiam, com gostinho de alegria e carinho aquele momento.

Volta  após ao pátio , retoma a lida nos canteiros.  Vê naquele canto onde foram  plantadas as cartas do noivo, a exuberante roseira, florescendo o ano todo e lá no fundo, naquele da sua ex sogra, só existiam ervas-daninhas...

Olha, as retira, joga no lixo e diz para si mesma:

_A natureza é mesmo sábia! Mas eu a perdoei, pois graças à ela, tenho essa família linda e o amor ao meu lado!

Com o tempo, penso que a natureza também a perdoará, pensa enquanto coloca mudas de chuchus por lá...O marido adorava!

Nada que a representasse tão bem, rss, enquanto afunda as sementes...Mas, por via das dúvidas, daquele pé, ela nada comeria!sr...