♥Pontes que unem...e separam,rs... ♥

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Apenas uma ponte separava as casas e vidas de Marieta e Gioconda .

Marietta havia ficado viúva e a amiga, a havia ajudado muito naquela triste  hora.

De longe, quem por ali passasse, podia ouvir as confusões dentro das casas vizinhas e especialmente, daquela de Gioconda que possuía uma garganta de dar inveja aos bons tempos do Pavarotti.

Por lá,ela estava sempre a reclamar e mandar.  Era mandona como só...

 _ Giuseppe, alzati dal letto!! Gritava, mandando Giuseppe  levantar da cama...

 -Benito!!! Beniiiiiiiiiiiiiito!!!  Alza il sedere dalla sedia davanti  al computer!!!( Urrava mandando Benito, o filho, levantar a b....  da cadeira e sair da frente do computador)

E assim, passavam os dias.

Um dia,  Marietta viu tudo quieto por lá, não ouviu nada na casa de Gioconda.

Abre a janela e a vê saindo , carregada pelo marido e filho.

Chama Giuseppe e pergunta o que  aconteceu. Este nada responde. Apenas olha para o  outro lado da ponte, a vê e tira o chapéu saudando-a  voltando a colocá-lo na cabeça...

O tititi por lá estava formado.  Todos só falavam  no assunto:

_ Gioconda  morreu! ( Gioconda è morta!!! Gioconda è morta!!!)

Passados os três dias de funeral , a vida por lá retoma a rotina e...as gritarias também!

Mas faltava aquela voz, tão característica.

 Giuseppe, triste, agora tomava conta de tudo, mas não dava conta. Pediu auxílio a  amiga Marietta, que aceitou...Assim , ela vez por outra, gritava lá da sua casa, perguntando  por todos, dando ordens à Benitto, como a amiga fazia.

E outras tantas, atravessava a ponte, ia até a casa deles , cozinhava , lavava as roupas...

Giuseppe assim, sentia-se amparado. E "encostou-se nas palhas", não fazendo mais nada, como fazia com a esposa.   Esperava que Marietta resolvesse tudo...

Aquilo foi indo, o tempo passando , Benitto  saíra de casa para estudar fora dali e Giuseppe estava velho. "caidaço"...

Porém, não perdia a pose.

E, naquele dia, quando Marietta entra por lá, recebe um abraço um tanto quanto apertado demais. Ela o empurra e vai até o tanque. Ele atrás dela... Estava eufórico o velhinho...

Ela, viúva há anos, sentiu uma coisinha estranha, um calor crescia dentro dela...

E esse calor foi subindo, subindo ,subindo,até que...

 Pegou as cuecas borradas de Giuseppe, fincou -as com raiva, ira, em sua cabeça e saiu dali gritando pra quem quisesse ouvir...

_ Non lavo più mutande smerdate!!!( Não lavo mais cuecas borradas...)

_Va  , va, vatene via!!! ( Vai, vai, vai embora, te manda!)  E saiu porta afora...

Desde aquele dia, dois dois lados da ponte só silêncio se podia sentir...

Tudo estava na maior paz...

 Mas os vizinhos, não tinham mais assunto.  Ficou triste por lá!

Aquela ponte não era mais a mesma coisa...

Não levava , nem trazia emoções como antes...Agora tudo era lembranças, umas boas outras borradas pelo tempo ou até  literalmente,rsr