♥ O verdadeiro doutor! ♥


* Imagem Mulata de Di Cavalcanti , daqui


Edição Conto/Histórias do Bloinquês: 

Tema: "Mulata, pele escura, dente branco, vai o teu caminho que eu vou te seguindo no pensamento."

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Everaldo trabalhava num escritório de advocacia. Fazia  um trabalho importante. Levava os processos ao Fórum, ajuizava ações, fazia os trâmites necessários o bom andamento das causas .

Além disso, estudava à noite, faltavam apenas dois semestres para concluir seu curso. Estagiando ali, estava se preparando bem para a carreira.

Entre os advogados daquela banca, havia Teresa, formada há mais tempo, noiva do chefe dali," Dr". Roberto.

Ela era uma linda mulata, sorridente e parecendo sempre de bem com  vida.

As coisas  andavam normalmente e ele ,sempre que entrava na sala da  "Dra".Teresa, sentia um rubor, calor, algo diferente. A olhava e gostava demais do que via.

Deu-se conta disso e sabia que não poderia ir além das conversas de trabalho.  Ela, mesmo sem querer, colocava limites...

Porém , o tempo passava e ele não mais dominava o que sentia.

Teresa percebeu a situação e parecia divertir-se, até gostar da coisa... Passou então a dar "corda"...
E ele, quase com ela se enforcou...

Ainda bem , em tempo, passou a  pensar na sua situação financeira, no seu emprego que, na certa perderia e em seus pais que esperavam e necessitavam sua ajuda...

Soube dominar seus sentimentos e esconder emoções... E o fez bem, a ponto de, a cada provocada dela, se insinuando, ele apenas pensar com seus próprios botões:

_"Mulata, pele escura, dente branco, vai o teu caminho que eu vou te seguindo no pensamento." 
Posso sofrer, mas não cairei na tentação.E resistia!

Aquilo se repetia. Ele mostrava-se o mais duro possível nas relações de trabalho com ela, mas recebia sorrisos e abraços quase esparramados, de volta.
A situação ficou cada vez pior pois, a cada demonstração de dureza dele, mais ela atacava.

Um dia,ele pergunta:

_ Por que a Dra. está fazendo isso comigo?

_Isso o que? Vem cá, mais perto, chega aqui...E, nessa hora gruda um beijo nele, que retribui,sem se conter...

Abre-se a porta e entra Dr.Roberto, o  noivo e dono da banca.

Ele, surpreendido, não sabe o que fazer!
Ela, vira o jogo e coloca as culpas nele, dizendo ter sido atacada  inesperadamente.

Dr.Roberto nem mais pensou em nada. Demitiu-o dali, deixando-o sem condições de se defender e arrasado moral e psicologicamente.

_És um verme e tenho pena, só pena de ti! -Diz aos gritos à Everaldo.
Não és digno de frequentar meu escritório. Nunca serás chamado de doutor! 

Antes de sair, Everaldo apenas retruca:

_ Títulos nunca me importaram! Aliás, apenas por ser advogado ,ninguém deveria usá-lo. E sai, juntando suas coisas,deixando Roberto esbravejando.

O tempo passa, ele consegue se formar, arruma um outro emprego e, nas coincidências da vida, encontra-se do lado oposto da mesa numa sala de  audiências.

Ela defendia a reclamada;ele, o reclamante. Ele mal a podia olhar, tal irritação lhe possuía.Ela lhe fizera muito mal.

O juiz dá ganho de causa ao cliente dele, o que lhe deixou feliz.  Ganhar uma causa sempre valia,ainda mais aquela...Ninguém imaginava o quanto.

Ao sair dali, acompanhado do cliente, ela passa por ele,e sussurra baixinho:

_ Ainda vais ser meu!

Ele, escuta,lembra que fazia pouco tempo que ela se casara com o Dr.Roberto. Nessa hora,  só pensa:

_Vai mulata, de dentes brancos e alma preta.Vai, vai, tens parte com o capeta...

E, agradece  poder ter a certeza de sua integridade, ainda que nunca tenha podido se explicar ao ex chefe. 
Esse, ele tinha certeza, logo,logo, descobriria quem era a mulher  com quem se casara...

Dela, ele queria distância e saberia mantê-la!

Logo, suas suspeitas foram confirmadas e nos meios jurídicos  conversa era aquela...

Agora, sentia pena de Dr.Roberto...Mas, pensando bem, eles se mereciam!

Everaldo estava certo . Certo e feliz com sua "Dra".Leninha, sua esposa e juntos, aguardava o nascimento do primeiro filho.

Leninha não tinha curso superior,mas para ele, tinha a sabedoria e sabia lhe fazer feliz 

Era a doutora de seu coração e ele, além disso, ia muito bem obrigada, em sua própria banca! 

E fazia questão de não usar o DR. em seu escritório...

Sabia que o titulo não precisava ser algo exterior e se sentia um doutor, por dentro...

Havia enfrentado tantas adversidades, vencera tanta coisa...
Isso lhe dava o título e ainda mais, usava o seu curso de Direito para  o bem...

Podia, pelo menos, dormir tranquilo...