♥ Paredes fortes, surdas e mudas... ♥





Edição Visual do BLOINQUÊS


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Rogério, filho de Luis e Mikaela, havia crescido  numa família  que lhe cercava de carinho e amor. Viviam na casa de seus avós e com eles, ainda um tio de Rogério, Pedro.

Estudara, se formara e ali ainda permanecia. Seria por pouco tempo, pois estava se relacionando com Lia e pretendiam morar juntos tão logo possível fosse.

Via certas cenas, mas em criança apenas via, depois, aparentemente esquecia...

Porém,nos últimos tempos , ao deitar, vinham-lhe imagens do passado que o deixavam  desconfiado.

E os sonhos assim, repetiam-se e a cada um deles, eram mais claros e com mais detalhes.

Resolveu investigar e ver se haveria algum segredo na sua família.

E assim, após várias investidas, várias noites insones, onde descia ao escritório, encontrou um arquivo antigo, com papéis, cartas, fotografias.


As leu rapidamente, viu que nada continham além de coisinhas de sua mãe, até que se deparou com uma carta, escrita por Pedro, seu tio, à sua mãe.

Nela estava o segredo do qual fora "acordado" em sonhos...

Pedro era seu verdadeiro pai.

Sempre o via muito carinhoso com ele e agora, mais nitidamente, percebia o quanto ele poderia ter sabido muito antes dessa história.

Lembra das longas ausências do pai e de vezes e vezes que viu , ao ir até o quarto da mãe procurar consolo qualquer, por medos de criança, seu tio ali deitado com ela.

Lembra ainda, que a mãe, nessas ocasiões, lhe inventava desculpas que o tio estava com febre, precisava cuidar dele e lhe pedia par nunca comentar om ninguém, nem com os pais, nem com os avós.

Ele inocentemente, aquilo aceitava.

Porém hoje, aos vinte e quatro anos, a verdade ali estava...

E agora?
O que fazer com ela?
Enquanto pensava, a porta do escritório se abre e Pedro fica de longe a tudo ver.

 Fica assim por um longo tempo até que Rogério o vê...

 Naquela hora, Pedro reconhece a carta que ele tem em mãos... Sabe que o segredo dos dois fora descoberto.
Pedro se aproxima, tenta abraçar o filho, que lhe rejeita, pela vez primeira.

Sai dali, sem nada falar, vai até o quarto da mãe e pergunta o motivo de tanta hipocrisia, de tanto enganar seu pai.

Ela nem tenta esconder ou desmentir.

_ Filho, sabíamos que essa hora chegaria!

Senta aqui! Vamos conversar! E tenta falar, recordar fatos com o filho. Porém esse levanta-se, sai, vai ao quarto e arruma suas coisas. Passa no quarto dos velhos avós, lhes beija e despede-se...

Enquanto a vó, Matilde lhe abraça, pede para não ir, ele desata enfim a chorar...

_O que faço com a descoberta que fiz? pensa consigo mesmo?

E meu pai, o que considero, aquele que me criou? Merece isso?  Merece nessa fase da vida saber disso?


Pondera, se questiona, pede discernimento...

E ele veio de uma forma que não sabe até hoje se foi ou não correta: Manteve tudo assim, fez de conta nada saber para o pai.

Resolve assumir a farsa coletiva. Todos ali sabiam, menos o pai.
 Deveria haver um sério motivo... Um dia, ele viria à tona...

E esse , só após passados oito anos, no dia em que o pai  oficial falecera, apareceu.

E , através dessa verdade revelada, viu que em meio à falta de verdade da família, houve  dignidade e respeito.

Palavras  que pareciam contraditórias em meio àquele quadro, porém fazia um certo sentido.Estava confuso, triste, embaralhado.

E claro, o segredo, ficou para ele também sobre tudo aquilo.

A família toda tinha uma espécie de pacto e agora ele estava sendo mais um elo daquela corrente louca, mas muito forte!
Por amor a um dos membros da família, tudo aquilo. Um amor diferente, mas forte amor!

Que poder haviam tido os seus avós na criação daquela muralha...

Porém,  Rogério estava decidido...

Não queria para sua nova família que estava pra se formar, algo assim..

Queria harmonia com clareza, autenticidade, transparência. Haveria de conseguir.

Estava feliz ao lado Lia , que esperava um filho e esse, tinha plena certeza, era seu...

Pretendia para sua nova família, viver sem muros, sem segredos.

 O último de sua vida era aquele que também carregaria ao túmulo...