✿ Num dia nublado.. ✿



Minha participação na 100ª EDIÇÃO VISUAL do Bloinquês

Tema livre

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Hoje passo a contar algo pelo menos inusitado, mas real e bem verdadeiro...


Como muitos devem ter lido, sou uma privilegiada: tive dois pais. Um que me criou e outro que só me colocou no mundo e a quem não conheci...


Fiquei sabendo de sua existência quando já estava com 39 anos.
Feita essa explicação, passo ao relato:

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Num cemitério antigo, Bahia, Eunápolis, está enterrado aquele pai que nunca conheci...

Marido e eu, passando férias em Porto Seguro, lugar que adoramos!

Um dia meio nubladinho, ameaçando chuva, "roncou nas minhas tripas", de ir até lá, conhecer onde ele estava...
Ficar pelo menos um pouco perto de um local onde ele tivesse passado!

Maridão estranhou um pouco, mas topou, como sempre,de cara!

Lá fomos nós de "buzum", aqueles ônibus bem fuleirinhos mesmo...

Não lembro bem o tempo que levou, mas não foi pouco.

Porém, a praia estava perdida mesmo e nós, estávamos passeando então tudo seria novidade e uma forma de aproveitar o dia.

Bem, não tínhamos nem idéia de onde poderia ser o tal cemitério.

Chegando à rodoviária, pegamos logo um táxi para que nos levasse, finalmente ao local.

Eu estava emocionada e por dentro, sentia uma coisa estranha.

Diga-se de passagem, que como sempre ando em férias, estava bagunçada, de bermudas, chinelos e o parceirão" idem com batatas"...

Após andar um tempão chegamos à frente do portão. Parecia um cemitério de filmes de terror! Todo velho, tipo caíndo aos pedaços.

Entramos então e o motorista ficou nos aguardando, tremendamente desconfiado da situação.

Por lá percorremos todos ou restos de túmulos, os túmulos mesmo e os escombros, procurando pelo nome dele.

Passávamos por cima, era um verdadeiro "cross" sobre os túmulos, sem contar que estávamos arriscando a ficar ali dentro de uma daquelas covas que se desmoronavam.

Mas eu não desistia e fomos ao administrador (imaginem a figura) do local, que disse não saber da localização.

Passados mais uns bons tempinhos por ali, naquele local um tanto quanto estranho, percebemos que estávamos todos embarrados, pois havia chovido...

Resolvi então, deixar assim mesmo! Desistimos!

Parei num local quietinha e fiz uma oração para ele que certamente teve um dia, por um pouco de tempo, por ali seu corpo repousando...

Fiz a oração e me senti leve!Valeu tudo aquilo!

Agora, só faltava voltar ao táxi, cujo motorista nos olhava como se tivesse visto os próprios fantasmas, só que estes, desta vez, deixaram seu carro embarrado e molhado...

O motorista ficou ainda mais estupefato quando ao entrar no carro, dissemos que iríamos logo pra rodoviária, sem mais passeios.

No mínimo estranha para ele a situação de ver dois  turistas, mal arrumados, escavalgando sobre túmulos e após, ir diretamente embora...
Se vissem a cara dele! Coitado! Estava assustado!

Mas valeu tudo aquilo e até hoje sou grata ao meu marido por ter me feito companhia naquela empreitada um tanto quanto estranha e escabrosa para umas férias e descanso num local tão lindo!

Mas foi muito bom, pela primeira vez, pisei o mesmo solo que ele, meu pai biológico...

E reconheço, só mesmo o marido que tenho pra me aguentar!

Depois disso, até o Sol apareceu novamente! (Chica)

* Passados anos desse fato, hoje o republico, ressaltando que para mim, naquele dia, o deixei ali, enterrado e nem lembro mais de detalhes que me contaram.

Não valem a pena ser lembrados.

Pai não é aquele que apenas faz o bem bom! É o que cria e , principalmente, o que aceita e o meu pai verdadeiro, foi o que me aceitou e criou.