* Visitinhas indesejadas...


D.Nair era nossa vizinha e o casal tinha apenas um filho, mas que valia por quinze aprontadores.



Fazia de tudo para aqueles pais que sempre pacientemente, o compreendiam, e tudo mais, até a próxima aprontada e assim, aconteciam os fatos por lá.


Ela sempre vinha se queixar e aconselhar comigo até que um dia dei uma idéia e aí tudo começou:


Ela e o marido fizeram de conta que iriam viajar num final de semana, aparentemente e bem na frente do filho, tratavam dos detalhes, malas e preparativos.

Conselhos de praxe dados ao filho que, coitado, ficaria abandonado! Aqueles célebres:cuidado com a casa, com o gás, com o fogão.....................................................................................


O casal saiu para jantar, retornaram à casa, deixaram o carro escondido e se trancaram no quarto, eis que esse sempre assim ficava.


Pensaram com eles:


- nos enganamos, ele não traz ninguém aqui.


Não passou muito tempo,ouviram barulhos da porta, na sala , conversas e risadas.


Haviam moças e não eram poucas pela barulheira e galinhagem.


D.Nair, atrás da porta do seu quarto, grudava os ouvidos para ouvir e então:


-Mas que lindo esse apartamento para um cara solteiro e tudo tão arrumado, nem parece.Deves ter uma boa faxineira.( ao ouvir isso ela bufava)


Passa um pouco e o barulho de copos, do armário de bebidas sendo invadido e ela ouve o filhinho amado dizer:


-Desculpem, hoje não tenho nada de bom para oferecer,SÓ esses bombons, umas castanhas , salgadinhos e vinhos.( atacaram todas as guloseimas)


Ouviu ainda uma das dondocas dizer: mas que bonito, não imaginava que um cara místico iria me trazer pra sua casa logo de cara sem me conhecer.


Gostas então de anjinhos? Isso tudo referindo-se ao "cantinho zen" da D.Nair que a essas alturas pulava de ódio.


De repente, o silêncio e nessa hora, D.Nair e o marido, S.Genésio resolveram ADENTRAR ABRUPTAMENTE nos quartos e ainda bem, pois chegaram a tempo,antes que sua casa pegasse fogo, pelos cigarros acesos no sofá.


Imaginem o barraco, por volta das 02 da madruugada.


Eu da minha casa, ouvia todo o rebu.


Trancaram a porta, tiraram a chave e mandaram todos, era um verdadeiro bacanal, deixar a casa como haviam encontrado, ou seja LIMPA e organizada...


O filho não sabia onde se enfiar.


E assim, após tudo limpo e muito barraco, as portas foram abertas e elas e eles enxotados, inclusive o filho.


D.Nair até hoje lembra desse fato, agora rindo, porém na hora, foi tomar calmante na minha casa, afinal ,a idéia havia partido de quem?


Só não imaginava que a coisa seria tão, tão.


Mas de qualquer forma valeu, pois ele nunca mais se atreveu a trazer ninguém dessas desconhecidas pegas na rua para dentro da casa ...

A casa é um espaço familiar e deve ser respeitado .