♥Bons ventos... ♥

 Imagem ganhei da Alzira Dinelli



As portas abertas denotavam a liberdade e tranquilidade que  lá, na casa de Lina e José, existia.

Não se preocupavam em fechá-las, não era necessário.

Saiam às compras na cidade , com suas bicicletas que, mesmo velhinhas, eram ainda melhores e mais novas do que as suas pernas... Voltavam pouco depois, às vezes até demoravam-se mais, e tudo estava no lugar!

Isso porém, intranquilizava os filhos que moravam longe dali, uns na cidade, outro no exterior,  para tocar suas vidas.

O casal, sempre junto em cada das tarefas do dia.

Se, na cozinha Lina estava, ali José lia seu livro, começado e recomeçado várias vezes, pois sempre perdia o fio da meada.

Se no quintal, plantando, lá estavam os dois.

Assim,sempre!

Desde a manhãzinha  , pois cedo levantavam, até a hora de dormir...

Fazia dias que estavam trabalhando , fazendo , pães, roscas ,compotas com as frutas ali colhidas, que depois eram distribuídas aos filhos quando  os visitavam. Mas aquela, para a qual se preparavam, seria uma visita especial.

Um filho de longe, muito longe, atravessaria o oceano para vê-los e traria os netos...
A alegria era grande, euforia pelo momento.

Todos no vilarejo, sabiam que Pedro visitaria os pais e tinham curiosidade para ver o que  o menino que conheciam desde pequeno ,havia mudado no "estrangeiro",como  diziam por lá...

Chega o dia, Pedro e família  finalmente ali estão.

Encontram o aconchego, o carinho de sempre, portas abertas...

A mesa  na entrada da cozinha, estava ainda posta, louças usadas, sujas.

Estranham aquilo e  correm até a sala. Nada!

Olham pelo jardim. Ninguém!

Sobem e nada veem...Abrem a porta do quarto dos pais e ...nada!

Um susto toma conta deles, que já desesperados, iriam até a casa do vizinho mais próximo pra tentar saber notícias...

 Nessa hora, ouvem risos sufocados...Vinham  de perto, da dispensa!

Pedro vai até lá e abre a porta...

Ao abrir lá estão os pais, com sorrisos marotos de sempre,  entre as prateleiras cheias de coisas boas, que os esperavam!

Risadas, abraços, beijos em grandes e pequenos...

Felicidade completa ali  na casa e essa foi parceira durante todos os dias da visita  por lá.

Na hora da saída, Pedro, com o coração apertado,após as despedidas,  não pode deixar de perceber o velho e enferrujado lustre que balançava sozinho...

Ali existiam os ventos da alegria.mesmo que não soprassem lá fora, ali dentro existiam e tudo moviam!

Pedro não sabia até quando encontraria tudo assim, mas era sempre bom aquilo reviver e guardar para levar consigo no coração!

Sai, olha pra trás e pede ao Alto que os possa ver por muitos  anos ainda!

chica