♥ Um anjo... ♥



O frio chegava cada vez mais perto ...O vento sibilava  e isso só fazia aumentar a sensação do frio.

Volta do trabalho, Marinês sente a casa gelada, quase congelante que lhe esperava.

Se a quisesse esquentar, deveria ela mesma fazer o fogo.
Se  quisesse um prato comer, teria ela mesma que cozinhar...Tudo agora dependia dela.

Naquela noite, sem coragem, cansada demais, resfriada, antes de mais nada, senta para tirar os calçados, tocá-los por pantuflas  apeluciadas. 

Recosta as mãos  sobre os braços na mesa e quase instantaneamente, lhe vem em mente os tempos anteriores e a vida que tinha enquanto seus pais viviam.

Recorda com saudades que voltando do trabalho,  precisava apenas tomar banho, trocar-se e descer para o jantar.
Parecia tudo tão normal, chegar em casa e ter esse ritual.  Era só descanso, cuidados com sua beleza.

Não precisava preocupar-se  com  mais nada.  

Apenas sentava à mesa e  jantava, sem nem ao menos elogiar o prato preparado.  

Em geral era um prato único, bem consistente e alimentador.  

De repente, parece até sentir o perfume das comidas da mãe. Bate-lhe uma saudade enorme, daquelas que machucam...
Olha para o fogão apagado, lágimas escorrem pelo seu rosto....

Assim triste, adormece...

Naquela noite, calafrios lhe percorrem o corpo. Queimava em febre.
Ora sentia frio, ora calor.
O estômago vazio lhe dava até náuseas.

 Em sonho e delírio febril chamara sua mãe:

_ Mamãe, vem me ajudar. Estou mal !  Não consigo ter forças de me erguer e meus trabalhos por aqui fazer. 
Estou exaurida, cansada, em frangalhos...

Volta, por favor! Serei uma filha diferente.Agora sei o teu valor!

Entre o sono e arrepios, de repente sente uma mão tocando carinhosamente seus cabelos. Nessa mesma hora, uma incrível sensação de paz dela se apoderou.

Mais tarde, acorda  sentindo um  perfume de um sopão, daqueles de outrora. Sente também o calor da casa aquecida. Olha para o lado, vê o fogão aceso, uma panela sobre o fogo e estranha...

_Mamãe? 

 _Oi, Marinês, não é a tua mamãe. Mas sou eu, Tia Sofia.  
Essa noite não consegui dormir direito . Pensei muito em minha irmã Greice, tua mãe . 
Coincidentemente, ela me apareceu em sonho, tocou no meu ombro, num chamado, pedindo que viesse te ver...

Chego aqui, te encontrei mal, gemendo, delirante... 
Fiz o fogo, preparei uma sopa  e te deixei dormir.  
Só agora, quase meio dia, acordaste e me parece bem melhor...

Marinês conta à tia Sofia o que acontecera na noite anterior , no chamado que fez à sua mãe e as duas se olham, com todos os pelos arrepiados...

Sabiam o que havia acontecido.

Agora, as duas sorrindo, agradeceram alto à Greice e Marinês tinha agora certeza que  mesmo em diferentes dimensões, não estava só!

Tinha um anjo velando por ela...

Viveu mais feliz assim...
chica