♥ Doce sonhar... ♥




Edição Contos/Crônicas do Bloinquês

Tema: E então, acordei assustada.

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Edição Visual. do Bloinquês

Tema: Amor de pais (ou falta desse amor). 


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Passeava com meu marido por uma rua cheia de flores, mas muito cinza também...

Quase ninguém nela circulava, poucos carros e pessoas.

Nós ali, envolvidos em nossos assuntos e ,de repente, me giro vejo algo estranho que se movimentava.

Curiosa, chego perto. Ali, estava um pequeno bebê. Ao seu lado, apenas  sapatinhos embarrados, sujos e um babador. Suas fraldas, sujas, molhadas.

Subitamente, o tomo nos braços. Ele com olhinhos castanhos, grandes, parecia me ver ,apesar de poucos os seus dias.

Imediatamente, o apertei nos braços,olhei para o marido e saímos dali, correndo com ele para casa.

Lá, teríamos como banhá-lo de imediato.  Enquanto eu fazia isso , sabia que deveria deixá-lo aos cuidados  ,em casa e correr para uma loja.
Foi o que fiz. Comprei roupas, fraldas ,mamadeiras, leite, carrinho, berço, tudo que pudesse precisar...

Chego em casa feliz...

Olho para meu marido, pai de quatro filhos  e vovô de seis, vejo preocupação e alegria ao mesmo tempo.

Ele tinha Henrique,  nos braços, beijava seus pezinhos. Aquela cena, me fez voltar anos e anos  no tempo e o vi, exatamente com aquele amor tão lindo de pai que sempre demonstrou e teve.

Nessa hora ele me pergunta:

_O que vamos fazer com esse gurizinho?

_Ora, tens alguma dúvida? Não vês o arsenal que trouxe, tudo preparado para ele?Será nosso!  Mais um!

_E nossa idade?

-Ora, o tempo que nos resta será o suficiente para darmos para esse pequeno o amor que a vida não lhe deu até agora. Poderemos recuperar e dar muito, muito . Tenho essa certeza!

Chega então   a pergunta fatal, aquela que eu não queria ouvir:

_ Sabes que não podemos ficar com ele sem  comunicar à alguém, ao juizado de menores e tal e tal...? Tudo tem um procedimento necessário?Esqueceste?

Fui  o até o pequeno Henrique, de quem já gostava muito, apertei-o entre meus braços e  então, acordei assustada.  Temia perdê-lo...

Uma estranha sensação me dominava, parecia tão real tudo aquilo.


Naquele dia, ao fazer a caminhada com o marido, ao passar pelas ruas de sempre, olhava para todos os cantinhos à procura de Henrique.

Ele não apareceu.

De certo modo, fiquei feliz em não ver uma  criança ser abandonada.
Isso sempre me causou grande tristeza.

Fecho então os olhos e peço  ao Alto, por cada criancinha abandonada , seja qual for a forma de abandono, físico ou moral...Que todas tenham ou possam ter  a sorte daquele menininho, Henrique, que povoou meu sonho...

Mas, por outro, aquele sonho foi tão lindo e o contato com o pequeninho me fez muito bem.

Mostrou que ainda sou a mesma de sempre... Crianças sempre me fizeram bem!
E, apesar de tudo, sempre pronta para recomeçar!

Foi um lindo sonho.Valeu!