♥ As penas do tempo... ♥


Liris e Noria , velhas irmãs e muito amigas, naquela tarde cinzenta, se encontraram...

Entre um chá e bolachinhas, foram ao mundo de suas recordações...

Nória era a mais falante, embora tivesse a mente mais nebulosa. Haviam muitas falhas de memória já...

E,Liris, não admitia ver sua irmã  assim.  Havia se proposto a sem que ela percebesse, ajudar a rememorar e reavivar as cores dos fatos em suas recordações.

Assim, falavam ,riam e Noria, pulando partes, forçando a lembrar-se mas nada...

 Eis que o assunto girou  acerca de um casaco de veludo vermelho que  uma usou sem pedir emprestado à outra.

 _Lembras  como ficaste brava comigo?

_ He,he,he... Merecias.

_Lembras que acabamos com os travesseiros da mamãe de tanto bater  com eles  na nossa "luta"?


Imagem daqui

_ Ora, que bons momentos aqueles, diz Noria...

Pena cada  travesseirada que errei, diz sorrindo... Merecias muito!

Assim, riram muito ao recordar-se daquela cena.

Passaram ótimos momentos juntas, mas chega a hora de Liris ir para sua casa.

Noria, naquele dia, ao despedir-se, percebe uma lágrima escorrendo em seu rosto...

A enxuga e  sua irmã entra no táxi que havia chegado.

Ao vê-la afastar-se, pensa:

_ Por que estamos uma em uma casa?  Poderíamos ter companhia sempre, uma à outra! Será que Liris não quer ir morar aqui comigo?

_Espera o tempo da irmã chegar em casa, corre ao telefone e quer discar...

_ Puxa! Qual o número dela? Pensa, pensa e não consegue lembrar.
Desiste então e senta diante da tv para assistir sua novelinha das seis.

Pouco depois, o telefone toca.

 Ao atender, ouve a voz de Liris.

_ Noria, hoje ao me despedir de ti e entrar no táxi, vim durante todo o trajeto pensando:

-Será que Nória não quer vir morar comigo? Por que temos que estar cada uma numa casa? Seria tão bom!

_Ora, responde Noria, eu também pensei isso e na mesma hora. Podes vir, claro! Ficarei contente!

_ Não! És tu quem deve vir morar aqui!

_ Não, és tu!

_E nessa discussão, começam a rir pois percebem que são as mesmas daquele tempo, tantos anos atrás. Discutem brigam por qualquer coisa, mas se amam.

 Despedem-se, prometendo pensar no assunto...
Liris, na manhã seguinte, bem cedinho, muito curiosa, liga para Noria. Ninguém responde!

Tenta uma, duas, cinco, dez vezes e...nada!

Chama um táxi e vai até lá!

Bate, ninguém responde. Usa então sua chave, que sempre carrega na bolsa. Uma tinha a chave da casa da outra...

Abre. Tudo  era silêncio!  Sobe ao quarto, ninguém por lá. Apenas sinais de roupas remexidas...

Nervosa, não sabia por onde começar as buscas, resolve ligar para a polícia e vai para sua casa onde de lá, prossegue as buscas por telefone...

Horas que pareciam intermináveis depois, chega a viatura da Polícia trazendo Noria, com uma mala.

Eu queria ter feito uma surpresa pra ti e falar pessoalmente que vim morar contigo! Trouxe até umas roupas na mala. Mas temos muito a buscar de lá ainda!

Porém ,no táxi, não consegui lembrar o endereço da tua casa e, muito menos o telefone. Ficamos rodando até que o taxista parou numa DP e lá ficou sabendo que eu estava sendo procurada.

As duas se abraçaram, felizes, agradeceram aos guardas e entraram.

Tinham, muito a falar, arrumar e colocar em ordem, nas vidas e nos pensamentos.

Mas estavam acompanhadas agora, e, por certo não haveriam mais guerrinhas de travesseiros...

As penas do tempo haviam caído sobre elas, mas estavam felizes ...