♥ Revisitando... ♥

Foto maravilhosa, trouxe lá do JORGE PIMENTA

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Passeando pelos caminhos do passado, Rita se depara com o velho banco.

Ali fica ,parada, inerte a olhá-lo.

De repente, parece escutar risadas, brincadeiras, barulhos de bolas batendo...
Eram as  suas crianças ...

Fecha os olhos e mais um pouco, lembra perfeitamente. A imagem dela e do marido naquele banco sentados namorando ainda escondidos da família.

Parece sentir naquele momento, a mão suave de Ferdinando lhe tocar o queixo, direcionando-lhe para lhe dar um beijo.
Ali havia acontecido o primeiro de muitos e muitos  outros ,que fizeram parte de suas vidas.

Hoje, aquelas as crianças já eram avós, cheias de netos...

Ferdinando, já partira para sua grande viagem e ela...Meu Deus, deu-se conta ...

_O que faço aqui? Por que será que ainda tenho essa tentação de aqui voltar?

Sem mais pensar, procurou no banco o desenho quase entalhado...Dera um enorme trabalho fazer aquele coração com suas iniciais...F e R...

Deve estar aqui, sim.

E , com os olhos cansados, a visão já bem pouca, óculos já vencidos,  afasta e raspa os musgos que o cobrem, e qual não é sua emoção ao encontrar ali, parte tão linda de sua vida.

Lá estava o velho coração.

Havia resistido ao tempo, tão forte quanto o amor que os unia, que sobreviveu à morte do amado...

Voltaria ali, com certeza mais vezes, mas naquele dia, apesar de já anoitecer e fazer frio, ela quis sentar-se e ali ficar mais tempo.

Colocou a mão sobre aquele coração gravado na pedra e sorriu... Um sorriso tão lindo, que pode ouvir o seu eco...

Sabia que não era eco, era Ferdinando que ali junto dela estava...

Ela levanta, dá alguns passos, olha para trás  atira um beijo com suas mãos trêmulas.

E  ele o receberia onde estivesse...

Saiu de lá feliz e tinha muito a contar aos filhos e bisnetos agora. Encontrara o coração da sua juventude.

Tinha consciência que  aquele tinha sido um último lindo presente que  vida lhe dera.

Mas a fizera feliz e isso lhe bastava.

Foi dormir tranquila e sonhar..

.E, por ela, poderia nunca mais acordar...