♥ O 17 e a sábia decisão...♥




Edição Conto/história do Bloinques

Tema: Os dedos tremeram ao abrir o diário na primeira página. 

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As seis filhas reunidas , dias após funeral da mãe.

Remexiam nas coisas, organizavam o que seria doado, o que seria entre elas dividido.

Entre novelos de lã, anéis encontrados.

Eram caixas, caixinhas e caixotes enormes de coisas a organizar.
Havia ali pedaços da vida de sua mãe.

Entre os achados, um caderno velho, amarelado.
Folhas comidas pelas traças...

A mais velha, Brenda, quem o encontrou, coube a tarefa de abri-lo, sob os olhares das demais.

Tinham medo, muito medo.

Uma delas, Brigithe já tinha ficado sabendo em vida, que não era filha do mesmo pai das outras... Agora, uma instigante dúvida  lhes surgia.

_Abrimos ou não? Teremos coragem?
Será que estamos prontas para  quem sabe uma nova revelação?

Belinha dizia ter medo.

Belmira, dizia:

_Azar, vamos abrir e anda logo! Somos  todas adultas e estamos  aqui , para nos amparar juntas.
Assim,  Brenda, decide e os dedos tremeram ao abrir o diário na primeira página. .  


Ali sua mãe contava de sua vida, sua infância  e deixa claro que tem uma revelação a fazer e que só depois que a filha envolvida a perdoar, teria descanso.

Ela tinha certeza que aquilo seria encontrado após sua morte.

 Seguem lendo e em certas horas tinham pena, noutras, raiva do que liam.

Ate que chegou a hora esperada e/ou TEMIDA:

"Peço perdão ao meu marido, pai de 4 de vocês."


  Ao ler essa frase, as filhas tremeram nas bases.

_Quatro? Mas nós somos seis e sabemos que  Brigithe não é filha do nosso mesmo  pai.
Mas quem será  a outra?

Assim, nervosas, sacudiam o pó das traças no caderno amarelado.

Continuam a ler...

"Quero que saibam que aconteceu de forma maravilhosa a geração , havia amor realmente. Era tão grande que não deu para segurar..."

As palavras estavam todas com letras faltando, quase inelegíveis... mesmo assim, dava para entender.

"Quero que me perdoes tu também, filha querida, por haver escondido teu verdadeiro pai.  Se fores até a página 17 desse caderno, terás uma declaração de teu pai par ti e do quanto ele te quis assumir, mesmo eu casada..."


Noooossa, já choravam ansiosas as filhas.Anda... Vamos!

Chegam à pg. 17 e lá está...

 "Para minha querida amada e minha filha, a quem nem o nome pude dar..."

Assim iniciava o bilhete escrito pelo pai de verdade de uma delas...

"Quero que saibas, B..... que te amei à distância...."

Não, isso,não? Diziam agora as seis filhas reunidas!

Só conseguimos ver a letra B. Essas traças comeram todo o resto?

Mas que coisa!  Como faremos?

Papai não existe mais, ninguém nos poderá revelar...

Tristes, inconformadas, leram e releram aquele caderno e esperavam encontrar alguma pista. Mas tudo em vão.


Assim, tristes,  agitadas, de repente, Brigithe , que não estava diretamente envolvida, pois o seu verdadeiro pai já conhecia, propõe:

_ Vamos tentar tudo isso esquecer!  Até hoje vivemos como verdadeiras irmãs, felizes, alegres e juntas sempre.

Por que vamos deixar que alguém,  que por covardia não nos falou, estrague o resto de nossas vidas?
Pensem nisso!

 As outras, após muxoxos e mais muxoxos, blasfêmias e tantas coisas mais, aceitaram o convite.

Se abraçaram, fecharam tudo aquilo.

Ninguém quis nada de nada do que ali estava. 

Enterraram o passado e por incrível que possa parecer, saíram dali, atravessaram a rua e foram  tomar um delicioso café colonial.  Estavam precisando!


Pediram três xícaras a mais na mesa, lugares distintos. Uma para o verdadeiro pai de todas, pois foi quem as criou. Esse era comum.

Outra para o desconhecido, que era pai de uma delas e ainda, outro para a mãe, a quem iriam com o tempo, perdoar!