* Indiferença ..

Esta é minha participação na 12ª edição do ONDE AS PALAVRAS SE SOBREPÕE


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Cleide e Nairo estavam num período de suas vidas onde não sobrava tempo pra eles.
Os dois trabalhando e ela,ainda envolvida com  o casal de gêmeos de apenas um ano e meio que lhe tomava todo o tempo assim que voltava para casa .

Os encontros do casal eram disputando a pia do banheiro pela manhã, sempre atrasados e na cozinha onde,passavam de corrida para apenas colocar pra baixo, quase sem engolir,um pãozinho e um café.

Depois, tinham que arrumar as crianças voando e deixá-las na creche.Ufa, uma correria a cada dia!

Antes re voltar  para casa, recohia as crianças na creche ,passava no supermercado e finalmente entrava em casa onde tudo mais lhe aguardava.

Estava histérica...Só o sorriso dos bebês lhe acalmava.
Ele, a cada dia mais longe de tudo aquilo .Parecia viver em um outro mundo. Chegava,ia direto parai nternet, violão e dormia.Nem as crianças lhe animavam.

Um dia,Cleide  parou pra pensar e chegou a conclusão que aquilo não era , de forma alguma,  o tão sonhado casamento.
Ligou pra ele no escritório e lhe propôs um fim de semana sem filhos,só para os dois.
_ Mas que ficará com os pestinhas?pergunta ele, com irreverência.
-Falei com mamãe ela adorou a idéia.

Chega o , por ela, tão esperado fim de semana.
Crianças  fora de casa na sexta à noite e ela espera  o marido já na banheira,num super banho relaxante.

Ele entra,percebe que ela está lá, dá um oi e sai do banheiro.
Passa um tempinho,ela pergunta:

-Querido, não vens?
_AGORA,não! Me deixa livre!!

Ela sai do banho,arruma-se todinha com tudo o que sabia lhe deixar  feliz.  Isso incluia o ritual das meias,cinta-ligas...Ele dizia que aquilo era o que ele mais gostava de tirar...Deita-se assim...

Porém, toma um susto. Ele ainda com a roupa de trabalho,nem os sapatos tirara e dedilhava o violão.

Ela se insinua,se aproxima dele...

Ele pede que o deixe, pois está tentando compor uma música que lhe viera a inspiração no trabalho...

Não acreditando ela pergunta o que está acontecendo com ele.
Ele responde:
-Durante  esses últimos tempos,tive oportunidade de ver como as coisas entre nós não são consistentes.Falta muito amor entre nós e...
_ E o que, continua, grita ela.
_Tens outra?
Não ,estava esperando apenas oportunidade de poder falar contigo para   resolver nossa separação.
Devo te dizer que  desde o início sempre soube que essas crianças  não são nada minhas.
_Como??, pergunta gaguejando, mas já corada.
Eu tenho meus exames, feitos bem antes de nos conhecer, onde ficou constatado que não tenho capacidade de gerar filhos.
Fiquei contigo,aceitei os meninos pela indiferença que tenho com a vida e sentimentos.
Nunca gostei de ninguém,nem de ti, nem das crianças,muito menos de mim...

Podes então decidir se ficaremos juntos. Não te acuso, não te cobro nada, apenas não posso te dar o amor que não tenho...

Ela, nervosa, triste e insegura, trata de  se vestir , decididindo o que fazer...

Sabia que a primeira coisa, seria buscar suas crianças que eram a única coisa que restara de felicidade...pelo menos, por enquanto. Depois, seria depooooooooooooooooooooooois!

Ele, indiferente, como sempe fora na vida, continua ali...Ele e seus problemas...Ele e a indiferença,parece, seriam eternos parceiros!